domingo, 23 de fevereiro de 2014

Já imaginou o que é...


Pagar para ir trabalhar todos os dias (nomeadamente despesas com transportes e alimentação), apesar de saber que cada mês é mais um em que, provavelmente, não vai receber salário?

Trabalhar mas estar sem receber ordenado há vários meses consecutivos e como não está tecnicamente desempregado(a) não ter direito a qualquer subsídio?

Estar privado(a) da sua retribuição mensal meses e meses consecutivos, apesar de não ter sido condenado(a) em processo disciplinar nem judicial?

Ter um contrato de trabalho há quase trinta anos e, todavia, estar a ser tratado(a) como se não tivesse quaisquer direitos, nomeadamente o de receber a retribuição no final do mês?

Precisar de assistência médica e ela poder ser-lhe negada a qualquer momento porque a entidade patronal que não lhe paga os salários há meses consecutivos também não entregou ao Estado as contribuições para o sistema de segurança social?

Ver-se obrigado(a) a andar meses consecutivos (e sem saber quando a situação termina) a pedir a familiares e amigos que o ajudem financeiramente a suportar as despesas mensais fixas com habitação, alimentação e saúde?

Não receber salários há meses consecutivos e, mesmo assim, ter de trabalhar todos os dias, por vezes até dez horas ou mais, num gabinete com temperaturas que no inverno chegam a atingir os 12.ºC e no verão 30.ºC, para cumprir todas as tarefas e responsabilidades profissionais que lhe cabem?

Ter salários em atraso há meses consecutivos e ser obrigada a trabalhar diariamente numas instalações que podem colocar em perigo a sua saúde e segurança por não respeitarem as normas legais sobre essa matéria: sem planta de emergência nem sistema contra incêndios, onde há condutas de ar condicionado obsoletas e nas quais ainda circula um gaz tóxico, onde quase nunca há luz nas escadas e os elevadores estão permanentemente avariados (sendo que os serviços são no 3.º andar e o arquivo na cave 3)?

Cumprir com zelo e dedicação as suas funções em termos profissionais, como inúmeras provas documentais e várias testemunhas o podem confirmar, sem margem para quaisquer dúvidas, e, em contrapartida, ser humilhado(a) publicamente como se fosse um(a) incompetente, um(a) inútil que nada faz?

E não, não se trata de uma ocorrência vivida no tempo da ditadura! E também se engana se pensa que este é um caso típico de algum empresário prepotente. Por mais inacreditável que seja esta situação, ela ocorre nos dias de hoje, no ano em que se comemora o 40.º aniversário do 25 de Abril, e acontece numa entidade da Administração Pública Local, constitucionalmente consagrada: a Assembleia Distrital de Lisboa.

E PORQUÊ?

Porque o presidente da Câmara Municipal de Lisboa é de opinião que a Assembleia Distrital de Lisboa deve ser extinta e considera que a forma para atingir esse objetivo é provocar a falência da entidade e, por isso, tem vindo a impedir, desde janeiro de 2012, que a autarquia pague a contribuição a que está obrigada (nos termos do artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 5/91, de 8 de janeiro), independentemente das consequências que essa atitude provoque.

E apesar da evidente INJUSTIÇA e dos GRAVES PREJUÍZOS que estão a causar aos trabalhadores, havendo já quem não receba vencimento há sete meses consecutivos, os órgãos autárquicos do município de Lisboa (executivo e deliberativo) têm vindo, por inércia, a dar cobertura a esta atitude ilegal, impensável num Estado de Direito Democrático, sendo cúmplices dos crimes atrás denunciados.


SE FOSSE CONSIGO? COMO SE SENTIRIA?
MANTER-SE-IA EM SILÊNCIO?

Sem comentários:

Related Posts with Thumbnails